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Negócios do luxo. Vamos esclarecer as coisas?

Carlos Ferreirinha é hoje, sem dúvida alguma, a maior referência em negócios do luxo na América Latina. Foi o mais jovem CEO da Louis Vuitton até o presente momento. Assumiu o comando da icônica grife francesa na América do Sul com apenas 30 anos. A frente de sua MCF Consultoria, colaborou com as mais importantes grifes de luxo globais implantadas no Brasil e também com as gigantescas corporações brasileiras que quiseram entender mais sobre uma clientela de alto padrão.

Foi ele quem abriu, ao lado do inglês Simon Mayle, outro nome de peso no turismo de luxo, o I Fórum de Turismo de Luxo Brasil, no último dia 25 de outubro, em São Paulo. Com a segurança de quem entende do assunto, e com um humor tão ácido quanto elegante, desmistificou uma série de lugares comuns e clichês que se ouve, hoje por todos os lados, sobre o luxo.

Sim, como em vários outros segmentos, não faltam falsos profetas do universo premium que dizem bobagens com ares de grandes acadêmicos. Ainda bem que Ferreirinha, com toda sua experiência, joga uma luz sobre a realidade.

Luxo é negócio e deve ser tratado com menos romantismo e mais espírito mercantilista. Movimenta centenas de bilhões de dólares no mundo, emprega milhares de pessoas e influencia, e muito, no comportamento de bilhões de pessoas. É um reflexo do tempo e tem de ser tratado com a importância que merece. Envolve excelência de qualidade, tradição, detalhes, preocupação com formas, prazer e exclusividade.

Falar que luxo é a casa da vovó vai, segundo o consultor, até a página dois. Depende da qualidade da comida, do enxoval. Se a comida deixa a desejar e o lençol é ruim, qualquer um corre para casa da tia e visita a avó apenas no almoço de Páscoa. Isso não quer dizer que grandes hotéis não busquem ter o espírito da avó ao receber seus hóspedes com todo os cuidados e mimos que as velhinhas, em sua maioria, adoram oferecer aos netos. Pés descalços na praia é luxo quando a praia está vazia e a taça cheia com um bom champagne, complementa.

Isso não quer dizer que o prazer possa ser encontrado em todo lugar e em qualquer momento. Nem que a simplicidade seja uma virtude a ser cultivada. O que se faz necessário é não misturar conceitos. Ou como dizia um professor meu, não confunda Anésio com Genésio. Luxo é prazer, mas nem sempre prazer é luxo.

Outra bobagem difundida em grandes escalas é que o turismo de luxo hoje envolve experiência. Para Ferreirinha, o turismo de luxo sempre viveu de experiências, não se trata de um código novo. Talvez o tipo de experiência é que muda. Se antes bastava apenas a um rico turista beber um grande vinho na Itália, hoje ele pode participar da produção de um rótulo só seu na África do Sul. Ou a sua esposa, grande consumidora dos melhores cosméticos franceses, pode hoje, criar sua própria fragrância em Tóquio.

Luxo não é massificado. De tal sorte que não se pode apenas falar em um tipo de luxo. Há quem prefira o luxo tradicional e conservador do George V, em Paris, ou do La Reserve Ramatuelle. Há hotéis, destinos, restaurantes luxuosos para todos os gostos, mas nem todos os bolsos. Nisso, estamos bem de acordo.

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